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Orienta Acolhimento

Como conversar com uma pessoa que usa álcool ou drogas sem virar uma briga

Quase toda família chega a esse ponto: sabe que precisa falar, tem medo de piorar tudo e já tentou conversas que terminaram em gritos. Não existe frase mágica, mas algumas escolhas ajudam a manter a porta aberta.

Por Patricck di Karllo Garbim. Atualizado em 19/09/2026. Texto informativo, que não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

Antes de falar, cuide da família

A conversa costuma ir melhor quando quem fala está minimamente calmo. Se possível, combine antes com as outras pessoas da casa o que vão dizer, para a pessoa não ouvir versões diferentes. Também ajuda entender o básico do que é dependência: é uma condição que envolve saúde, e não falta de vergonha ou de força de vontade.

Escolha o momento e o lugar

  • Evite falar sob efeito de álcool ou droga. A conversa não vai ser guardada.
  • Evite falar no meio de uma discussão ou logo depois de um episódio.
  • Escolha um lugar calmo e reservado. Sem plateia, sem os filhos por perto, sem celular na mão.
  • Reserve tempo. Não comece uma conversa séria cinco minutos antes de sair.

O que dizer

Fale de fatos que você viu e do que sente, e não de quem a pessoa é. Uma frase como esta costuma soar menos como acusação:

"Eu percebi que nas últimas semanas você tem faltado ao trabalho e chegado tarde em casa. Fico preocupada com você. Posso te contar como estou me sentindo?"

Depois, escute. Deixe a pessoa falar, mesmo que discorde. Perguntar "o que você acha que está acontecendo?" abre mais espaço do que dar a resposta pronta.

O que evitar

  • Rótulos, como "viciado", "drogado" ou "irresponsável".
  • Ameaças que você não vai cumprir. Elas perdem a força na segunda vez.
  • Expor a pessoa na frente de amigos, vizinhos ou parentes.
  • Cobrar promessas ("jura que nunca mais"). Elas costumam ser feitas de boa vontade e quebradas.
  • Fazer sermão longo. Uma conversa curta e sincera funciona melhor do que uma palestra.

Se a pessoa disser que não quer ajuda

Isso é comum e não significa que a conversa foi inútil. Muitas pessoas precisam ouvir mais de uma vez antes de aceitar. Deixe claro que você continua por perto, sem aprovar o uso, e diga que a proposta de ajuda continua valendo. Volte ao assunto em outro momento.

Enquanto isso, a própria família pode procurar orientação. Você não precisa esperar a decisão dela para cuidar de você.

Situações em que não se espera

Emergência

Overdose, agressão, risco de vida, confusão intensa ou abstinência forte: ligue para o SAMU, 192. Para conversar com alguém sobre sofrimento emocional, o CVV atende no 188, ligação gratuita.

Onde procurar ajuda

  • UBS (posto de saúde) do seu bairro: é a porta de entrada do SUS e pode encaminhar ao serviço certo.
  • CAPS AD: serviço público de saúde para quem tem problemas com álcool e outras drogas. A UBS informa qual atende a sua região.
  • CRAS: apoio social à família, inclusive orientação sobre benefícios.
  • Grupos de apoio a familiares, como Al-Anon e Nar-Anon, onde quem vive a mesma situação troca experiências.
  • Acolhimento em comunidade terapêutica: é uma opção para quem aceita ir por vontade própria. Explico como funciona neste outro texto.

Prefere conversar?

Eu ouço a sua situação, explico como funciona e apresento opções, sem pressa e sem compromisso.

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